
A compreensão clara da diferença entre Materiais de Referência Certificados (MRCs), padrões internos e materiais comerciais é fundamental para o controle de qualidade eficiente em projetos de mineração.
Apesar de todos serem utilizados como referência em análises químicas e em processos de QAQC, cada um tem características distintas em termos de confiabilidade, rastreabilidade e aplicabilidade.
Os MRCs são produzidos segundo normas internacionais como a ISO Guide 30 e 35, e são caracterizados por apresentarem valor certificado, incerteza estimada, homogeneidade garantida e estabilidade comprovada.
Eles são acompanhados de documentação oficial e geralmente são produzidos por instituições reconhecidas, como Geostats, OREAS, ou CRM.
Os MRCs são os únicos que podem ser utilizados para avaliar viés de método com confiabilidade metrológica, sendo fundamentais em auditorias e validações.
Padrões internos, por outro lado, são materiais produzidos pela própria empresa ou laboratório com o objetivo de monitorar a consistência do processo analítico ao longo do tempo.
Embora muitas vezes bem caracterizados, eles não possuem certificado oficial nem passaram por caracterização interlaboratorial.
Servem como importante ferramenta de controle interno, especialmente para verificar precisão e estabilidade do sistema, mas não substituem os MRCs quando se trata de avaliação de viés.
Mas para a rotina muitas vezes são mais importantes que os próprios MRCs. Ressaltando que os mesmo podem ser produzidos com um custo interressante e garantindo o controle de diferentes litotipos, ou produtos.
Já os materiais comerciais, como amostras de concentrados preparados sem certificação, geralmente são usados para fins diversos, mas carecem de qualquer rastreabilidade metrológica. Eles podem ser úteis como padrões operacionais ou de rotina, mas seu uso em QAQC formal deve ser restrito, pois não oferecem garantias sobre homogeneidade, estabilidade ou valor conhecido.
Em resumo, MRCs são insubstituíveis quando o objetivo é garantir rastreabilidade e conformidade internacional; padrões internos são ferramentas úteis de controle interno de precisão; e materiais comerciais devem ser usados com cautela e conhecimento de suas limitações.
A combinação adequada desses três tipos é a chave para uma estratégia robusta de QAQC.
