Avaliando a Qualidade Estatística de um Material de Referência Certificado

A qualidade de um Material de Referência Certificado (MRC) não se baseia apenas em um valor nominal, mas em uma robusta caracterização estatística que reflete a confiabilidade de seus valores certificados. Para nós, especialistas, é crucial ir além do número e compreender a ciência por trás da sua certificação.

Padrões e Recomendações para a Certificação de MRCs

Não existe uma legislação universal ou um “padrão” rígido e absoluto que estipule um número mágico e mínimo de laboratórios ou análises para a certificação de um Material de Referência Certificado (MRC) globalmente. No entanto, existem diretrizes internacionais e melhores práticas amplamente aceitas por organismos de normatização e credenciamento, como a ISO Guide 35 (ISO 2017), que aborda a produção de Materiais de Referência. Essas diretrizes são baseadas em princípios estatísticos robustos e visam garantir a confiabilidade e a rastreabilidade dos valores certificados.

A ISO Guide 35, por exemplo, não impõe um número fixo, mas recomenda que o valor certificado de um MRC seja estabelecido por uma campanha interlaboratorial, envolvendo um número suficiente de laboratórios competentes. A suficiência é determinada pela capacidade de se obter uma estimativa robusta da média e da sua incerteza. Geralmente, vemos na prática que MRCs de alta qualidade são certificados com dados de pelo menos 7 a 11 laboratórios independentes e qualificados, com cada laboratório realizando múltiplas replicatas (tipicamente 5 a 10) por analito. Menos do que isso já acende um sinal de alerta sobre a robustez estatística dos dados.